Imagens e Sons

Manhãs de outubro, doces manhãs… O novo visual primaveril mareja-nos os olhos de inocentes alegrias. As cirandas dançam sonhos e cantam um futuro menos hostil. Imagens sonolentas, apressadas, indiferentes, simpáticas marcam o hoje. O hoje é presente que jamais se repetirá. Ficam as imagens que os nossos olhos testemunham e as objetivas registram…
Imagem, segundo a teoria platônica, constitui a ideia, idealização, projeção da mente, representação mental de um objeto, visão do próprio objeto receptada pela retina, apreendida do real. A imagem, código da linguagem visual é, sem dúvida, um dos maiores ícones da Comunicação. E assim conceituada finalmente a encontramos hoje compartimentada, cativa em memória adicional de suportes fabricados: a imagem virtual.
Impregnadas de cores ou mesmo incolores, as imagens avivam o subjetivo artístico, a didática, o pedagógico, despertam as mais inusitadas sensações. Desde os mais remotos tempos, e, muito antes da difusão da escrita, foram as imagens que registraram o desenvolver da humanidade. Nas paredes das cavernas contam de caçadas e das trajetórias humanas dos primeiros tempos; nas catacumbas e nos retábulos, afrescos, planos ou relevos, as imagens marcam e registram a história político-religiosa dos homens. Ainda usadas para propagar o Cristianismo porque remetem à leitura visual, acessível a todas as pessoas -. Pintadas, esculpidas, talhadas ou modeladas as imagens nortearam a fé, narraram acontecimentos, subsidiaram desfechos e motivaram vidas. Imagens são símbolos (sim-bolos: junção, elo, ligação), no caso, união da Igreja.
No instante em que abrimos os nossos olhos ao acordarmos podemos visualizar as coisas que nos acercam e identificá-las; podemos aferir-lhes as nomenclaturas e, através desse reconhecimento visual situarmos-nos no tempo e no espaço. Ao avistarmos um objeto ou uma pessoa à distância, antes mesmo de qualquer outro tipo de informação sonora, de palavras ou de outros ruídos, já podemos definir-lhes as formas, as cores de sua roupa, do seu cabelo ou se está usando chapéu – no caso de pessoa -. É, talvez, por essa leitura imediata anteposta à comunicação verbal, que atribuímos às imagens e seus signos uma intrínseca relação com as fontes de dados, de orientação, e presumimos ser, a visão, um dos mais relevantes sentidos que possuímos.
A imagem fascina, instiga, induz. Na mitologia grega, Narciso – filho de Céfiso – deus do rio e da ninfa Liríope -, de rara beleza e entorpecido aos encantamentos que despertava nas mulheres, teria apaixonado por si mesmo ao se ver refletido nas águas de um lago. É, portanto, ele, símbolo da vaidade e da insensibilidade que evidencia todo o poder de sedução da imagem.
Segundo Debray (1993), os gregos, apaixonados pela visão, chegavam a confundi-la com a vida. “Para eles, viver é mais que respirar, viver é ver; assim perder a vista é morrer. Pior do que castrar o inimigo é vazar-lhe os olhos”. A magia da imagem fazia parte da essência vital grega.
O olhar embebido de curiosidade é o conduto que liga o homem com o mundo. É o caminho mais rápido da percepção. Tão logo – a partir da Modernidade – descoberto o poder da imagem pela publicidade, esta tem feito com que ela seja cada vez mais utilizada nas propagandas. Incrementada e veiculada pela alta tecnologia a imagem torna-se atualmente a perdição dos consumidores, fascinando criadores e espectadores.
Elementos de contemplação e persuasão, as mais diversificadas imagens adentram hoje em nossos lares através de televisivos e processam informações de toda natureza; arrastam multidões, induzem os conceitos e forjam opiniões. Associadas ao som, outro veículo de imensurável importância à compreensão das mensagens, as imagens compõem a vida, prescindem o viver e as formas de comunicação entre as pessoas.
Selecionadas, tratadas e conservadas, as imagens fotográficas mais importantes da história e do cenário artístico nacional, junto a registros fonográficos, encontram-se à disposição do público, nos museus da imagem e do som MIS, em vários estados brasileiros.

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